quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Produção da cana de açúcar


A combinação entre clima, solo e variedades determina a produtividade da cana-de-açúcar. Desta forma, as maiores produtividades são atingidas utilizando-se a variedade indicada ao seu ambiente de cultivo, em um solo com propriedades físicas, químicas e biológicas adequadas.
A produtividade agrícola é medida em termos de toneladas de cana por hectare, sendo que, recentemente, passou-se a considerar, também, o volume de açúcar e álcool produzidos por tonelada de cana, por hectare. O controle de pragas e de plantas daninhas também é importante para evitar a redução da produtividade.
O planejamento agrícola começa bem antes do plantio e não termina na colheita, e é extremamente importante para sua exploração econômica. Deve-se fazer, portanto, uma análise de todos os componentes de produção, inclusive dos custos de implantação. Este estudo deverá considerar determinados fatores, como:
    • manejo (solo, pragas, doenças, plantas daninhas, irrigação);
    • tipos de técnicas a serem adotadas;
    • insumos;
    • máquinas e implementos;
    • variedades a serem escolhidas;
    • distribuição das variedades nos tipos de solos a serem explorados;
    • ambiente de produção;
    • épocas de plantio;
    • elaboração do cronograma físico-financeiro;
    • serviços em geral. 
    Quanto maior o número de variáveis envolvidas, mais dificuldades o responsável agrícola poderá encontrar para realizar o planejamento (Figura 1) e prever os efeitos de decisões antes de serem tomadas.



    Fonte consultada:
    BRUGNARO, C.; SBRAGIA, R. (Coord.) Gerência agrícola em destilarias de álcool. 2. ed. Piracicaba: Ministério da Indústria e do Comércio, 1986. 212 p.

    Pré produção da cana de açúcar


    As características estruturais básicas do setor canavieiro nacional foram herdadas da longa fase de planejamento e controle estatal, ocorrida antes da desregulamentação do setor, em 1990. Os principais aspectos institucionais eram:
    •  produção agrícola e fabril sob controle das usinas;
    • diversidade dos meios de produção, especialmente na industrialização da cana;
    • baixo aproveitamento de subprodutos e competitividade fundamentada, sobretudo, nos baixos salários e na expansão da produção.

      Havia muitas diferenças técnicas entre as Regiões Norte-Nordeste e Centro-Sul e, mesmo dentro das regiões, existiam diferenças acentuadas de produtividade e escala de produção, sendo que tal cenário prevalece, ainda hoje, no Brasil.
      O processo de desregulamentação teve início em 1988, com o fim do monopólio das exportações de açúcar e das cotas internas de comercialização, seguido, em 1991, pela extinção das cotas de produção. Em 1998, o Governo Federal, por meio de portaria do Ministério da Fazenda, liberou a comercialização do álcool combustível. Após três adiamentos seguidos, em fevereiro de 1999 foram liberados os preços de todos os produtos da agroindústria canavieira: cana, açúcar cristal e etanol anidro e hidratado. As mudanças institucionais que ocorreram na economia brasileira desde a primeira metade dos anos 1990 causaram impactos diretos sobre o setor canavieiro.
      É importante ressaltar que o complexo canavieiro vem passando por um novo período de concentração e centralização de capitais, nas indústrias e propriedades agrícolas, que se revestem em concentrações técnicas e econômicas, já que, atualmente, fusões e incorporações se intensificaram nas regiões mais dinâmicas do setor sucroalcooleiro do Brasil, sobretudo, na Região Centro-Sul. 
      Paralelamente a isso, o setor industrial percebeu, na década de 1990, que a preocupação com os recursos naturais e seu uso racional poderiam proporcionar ganhos em um mercado cada vez mais competitivo e globalizado. Houve um gradativo incremento na demanda por sustentabilidade da agricultura, fomentado por movimentos ambientalistas, com o objetivo de preservar os recursos naturais e consumir produtos saudáveis, cuja produção não prejudica o meio ambiente.
      Neste contexto, ações voltadas para a qualidade dos produtos, responsabilidade social e gestão ambiental estão sendo implantadas intensamente em instituições sucroalcooleiras de todo o Brasil. Por se tratar de um setor tradicional e economicamente importante para o País, a agroindústria canavieira tem se modernizado e acompanhado essas novas tendências gerenciais. É importante destacar que o papel desse setor no processo do desenvolvimento sustentável e na utilização racional dos recursos naturais sempre foi um assunto polêmico.

      Processamento da cana de açúcar


      A cana-de-açúcar é a principal matéria-prima para a indústria sucroalcooleira brasileira. A agroindústria da cana envolve etapas, como: produção e abastecimento da indústria com matéria-prima; gerenciamento dos insumos, resíduos, subprodutos e da versatilidade da produção - de açúcar ou álcool; armazenamento e comercialização dos produtos finais. Estas etapas devem ser executadas com o emprego de técnicas eficientes de gerenciamento.
      A colheita, carregamento, transporte, pesagem, pagamento da cana pela qualidade, descarregamento e lavagem (Figura 1) são operações determinantes para um bom desempenho industrial. Estas etapas devem ser realizadas em sincronia com as operações industriais para que não ocorra sobreabastecimento, o que demanda armazenamento, com conseqüente queda na qualidade ou falta de cana para a moagem, ocasionando atrasos na produção.
        
       
      Na indústria, a cana pode ter dois destinos: produção de açúcar ou de álcool. Para a produção de açúcar, as etapas industriais são:
        • lavagem da cana;
        • preparo para moagem ou difusão (Figura 2);
        • extração do caldo: moagem ou difusão;
        • purificação do caldo: peneiragem e clarificação;
        • evaporação do caldo;
        • cozimento;
        • cristalização da sacarose;
        • centrifugação: separação entre cristais e massa cozida;
        • secagem e estocagem do açúcar.
          

        Já a produção de álcool envolve as seguintes etapas:
          • lavagem da cana;
          • preparo para moagem ou difusão;
          • extração do caldo: moagem ou difusão;
          • tratamento do caldo para produção de álcool;
          • fermentação do caldo (Figura 3); 
          • destilação do vinho;
          • retificação;
          • desidratação: álcool anidro ou hidratado.
            





          Extração
           Este tópico aborda os tipos de processos de extração do caldo proveniente da cana-de-açúcar, suas características e particularidades
          Tratamento do caldo
           Este tópico aborda o tratamento do caldo da cana-de-açúcar para a produção de álcool, destacando sua importância para o sucesso do processo fermentativo
          Geração de energia elétrica
           Este tópico aborda aspectos referentes à geração de energia elétrica a partir do bagaço da cana-de-açúcar
          Outros produtos
           Este tópico aborda os subprodutos da agroindústria da cana-de-açúcar e suas aplicações, que se constituem em uma fonte adicional de renda
          Fonte:
          http://www.agencia.cnptia.embrapa.br/gestor/cana-de-acucar/arvore/CONTAG01_102_22122006154841.html

          Transporte da cana até a Usina


          Sistemas de transporte
          Após ser colhida, é necessário que a cana-de-açúcar seja transportada de modo adequado, uma vez que como a maioria dos produtos de natureza vegetal, a cana também está sujeita à rápida perda de qualidade. 
          São muitos os tipos de transporte utilizados para a cana-de-açúcar, entre os quais:
          Transporte rodoviário: Por meio da malha rodoviária circula cerca de 95% de toda cana-de-açúcar colhida no País, e as vias utilizadas podem pertencer à propriedade, aos municípios, aos estados ou ao Governo Federal.
          Existe uma série de veículos que podem ser utilizados para o transporte rodoviário da cana-de-açúcar, como: tratores, caminhões, carretas, animais de tração, entre outros. A escolha do tipo de veículo a ser utilizado está relacionada a distância do campo de produção à unidade industrial, às condições de tráfego das vias de circulação e aos custos operacionais de cada tipo de transporte. Ao produtor interessa entregar a maior quantidade de matéria-prima no menor tempo possível, reduzindo, assim, os custos dessa etapa da cadeia produtiva.
          Dentre os veículos disponíveis para o transporte da cana, os caminhões são os mais utilizados. O mercado oferece grande variedade de modelos que podem transportar de oito a 40 toneladas de carga líquida. 
          As composições de transporte rodoviário de cana mais comuns são apresentadas na Figura 1. Logicamente, as carrocerias para acomodação da cana variam em função do tipo de cana - inteira ou picada - a ser trabalhada.


          De acordo com a composição de transporte e o tipo de carroceria utilizada, variam a capacidade de carga, as velocidades de deslocamento (vazio e carregado), o tipo de carregamento no campo e o tipo de descarga na usina. Caso o dimensionamento do transporte não esteja adequado, poderão ocorrer problemas de abastecimento de cana na usina. Ainda em relação à infra-estrutura de transporte, é possível utilizar carretas e semi-reboques reserva em esquema de "bate e volta" para dinamizar a entrega da cana.
          Transporte ferroviário: Embora muito utilizado em outros países, como Austrália, o transporte ferroviário não muito adotado no Brasil, já que são poucas as usinas que possuem infra-estrutura (sistema de trilhos) para o recebimento da cana-de-açúcar vinda da lavoura. No Brasil, o transporte da cana é predominantemente rodoviário, utilizando-se de tratores, caminhões ou carretas para carregar os vagões ferroviários. 
          Transporte hidroviário: Este tipo de transporte também atua em associação com o transporte rodoviário. A maior desvantagem do transporte hidroviário da cana é o tempo gasto nessa etapa, que pode acarretar a perda da qualidade da matéria-prima vinda da lavoura. Embora a utilização desse tipo de transporte seja muito promissora, principalmente no transporte dos produtos finais, sua utilização ainda é incipiente na produção de cana do Brasil. 

          Fonte consultada:
          SILVA, J. E. A. R. da. Desenvolvimento de um modelo de simulação para auxiliar o gerenciamento de sistemas de corte, carregamento e transporte de cana-de-açúcar. 2006. 128 f. Dissertação (Mestrado em Engenharia de Produção) - Universidade Federal de São Carlos, São Carlos. 

          Colheita da cana de açúcar


          A colheita e o transporte da cana-de-açúcar podem comprometer, significativamente, a qualidade do produto final e os cortes subseqüentes. Por essa razão, tais atividades devem ser executadas de acordo com orientações técnicas precisas. 
          Em relação a seleção e operacionalidade de um sistema de colheita, especificamente para a cana-de-açúcar, a análise não deve limitar-se apenas a aspectos referentes à máquina ou à mão-de-obra. É preciso levar em consideração a fisiologia da cultura e os aspectos sociais, econômicos e tecnológicos. 
          Do ponto de vista fisiológico da cultura, a colheita representa o final do ciclo de crescimento e maturação, atingindo o máximo de produtividade agrícola permitida pelas condições de clima e solo da região, pela tecnologia agronômica e variedades utilizadas.
          No período de colheita, em municípios onde a atividade é importante economicamente, uma grande quantidade de mão-de-obra volante e, geralmente, desqualificada migra para essas cidades. Tal situação exige que os setores de promoção social das agroindústrias, e muitas vezes, dos municípios tenham que efetuar medidas que possam tornar a permanência desses indivíduos o menos impactante possível.
          Nessa época, é necessário, também, a administração eficiente da grande frota de tratores, veículos de transporte e carregadores. Portanto, há necessidade de uma administração eficiente durante o período de colheita, com ações que envolvam tanto o campo como o ambiente externo ao canavial.
          O aspecto econômico é dado em função não apenas da produção e produtividade agrícolas de colmos industrializáveis, mas ainda do adequado sistema de colheita definido pela agroindústria. Atendendo a todas as condições desejáveis de implantação e condução da cultura, o período de safra requer um complexo planejamento e gerenciamento por meio de mão-de-obra altamente qualificada, constituída de técnicos e engenheiros.
          Alguns fatores relacionados à colheita, carregamento e transporte comprometem a qualidade do produto final, como:
          • queima antecipada da cana-de-açúcar (no caso de queima pré-colheita);

          • corte tardio após a queimada;
          • cana cortada aguardando carregamento, por mais de 24 horas;
          • excesso de matéria estranha no carregamento;
          • pisoteio ou destruição das soqueiras pelos empregados ou máquinas de corte, carregamento e transporte.
          Em relação às opções de sistemas de colheita, as operações de corte, carregamento, transporte e recepção da matéria-prima podem ser resumidas em:
          Sistema manual: o corte e o carregamento são feitos manualmente, podendo haver transporte intermediário;
          Sistema semimecanizado: envolve o corte manual e o carregamento nas unidades de transporte, por carregadoras mecânicas;
          Sistema mecanizado: utiliza cortadoras de cana e carretas de transbordo (Figura 1), empregando somente mão-de-obra especializada como operadores de máquinas e tratoristas, sem a necessidade do emprego de trabalhadores braçais. A colheita mecanizada tem como principal vantagem a rapidez na execução do trabalho, porém, se esse trabalho não for bem executado as perdas em eficiência serão maiores.


          Fonte:
          http://www.agencia.cnptia.embrapa.br/gestor/cana-de-acucar/arvore/CONTAG01_12_711200516716.html 

          Plantio da Cana-de-açucar

          Para a implantação de um canavial, deve-se fazer, iniciamente, o planejamento da área, realizando um levantamento topográfico. Nos locais de plantio é feito um trabalho de engenharia, conhecido como sistematização do terreno, no qual subdivide-se a área em talhões e aloca-se os carreadores principais e secundários.

          Atualmente, busca-se obter talhões planos mantendo linhas de cana com grande comprimento para evitar manobras das máquinas, otimizando operações mecanizadas. Em geral, os talhões de cana são subdivididos quanto à topografia e homogeneidade do solo e apresentam, em média, entre dez e 20 hectares. 

          Os princípios de conservação do solo e a execução de terraços devem orientar todo o planejamento da sistematização do terreno. Antes do plantio, é necessário, também, planejar o plantio das mudas ou buscar no mercado um fornecedor idôneo. O plantio da cana pode ser efetuado manualmente ou mecanicamente.


          ETAPAS



          O plantio compreende, basicamente, três etapas principais:

          •  corte de mudas;
          • distribuição no sulco;
          • corte dos colmos em pedaços menores, dentro do sulco;
          • cobertura

          ÉPOCAS DE PLANTIO

          A escolha adequada da época de plantio é fundamental para o bom desenvolvimento da cultura da cana-de-açúcar, que necessita de condições climáticas ideais para se desenvolver e acumular açúcar. Para seu crescimento, a cana necessita de alta disponibilidade de água, temperaturas elevadas e alto índice de radiação solar. A cultura pode ser plantada em três épocas diferentes: sistema de ano-e-meio, sistema de ano e plantio de inverno.

          Fonte:
          http://www.agencia.cnptia.embrapa.br/gestor/cana-de-acucar/arvore/CONTAG01_33_711200516717.html



          Abaixo segue um link de vídeo que mostra o processo de plantio da cana de açúcar
          http://www.unica.com.br/usina-virtual/video-new/usina-virtual.htm